Hotel Transilvânia e a superproteção paterna

Tempo de leitura: 3 minutos

Uma reflexão sobre a superproteção paterna, quando deveríamos nos preocupar em preparar os nossos filhos para viverem a vida deles ao invés da nossa.

Por Eduardo M. R. Lopes

Minha filha volta e meia tem visto (e gostado) o desenho Vampirina, que passa no canal da Disney sobre uma menina vampira e a sua família de monstros vivendo entre os humanos.

Por conta deste súbito interesse, com a chegada das férias entrou em cartaz a animação Hotel Transilvânia 3 e ela então pediu para que a levássemos ao cinema para assistir.

Para não pegar o bonde andando, resolvi então alugar os dois primeiros filmes – até para entender qual era a estória, que a princípio não botava muita fé, mas felizmente fui surpreendido positivamente por conta de uma questão que aflige a todos nós logo no filme número 1.

Ali, o Conde Drácula nos é apresentado como o pai superprotetor, que cuidou da filha praticamente sozinho, pois a mãe morreu quando ela era ainda uma bebê.

Com medo de que a filha tivesse contato com o mundo exterior, que conhecesse os humanos e sofresse perseguição por ser diferente ou até mesmo a morte, ele a trancou dentro do castelo, prometendo que só iria deixá-la sair quando completasse 18 anos – ou melhor, 118 anos.

No dia do seu aniversário ela vai cobrar a promessa ao pai, que (relutantemente) a deixa sair e então desencadeia uma série de eventos engraçados baseado nesta permanente tensão por conta da superproteção do pai com a filha.

O mundo é mau, mas quem ama não aprisiona

Sim,  o mundo é mau e o papel de todo pai e mãe responsável é proteger e zelar pelo bem estar da família, mas uma coisa é proteger e outra coisa é superproteger os filhos.

Funciona mais ou menos como o número do trapezista no circo.

Quando um trapezista vai se apresentar, há sempre aquela rede de proteção para o caso dele errar o número, cair do trapézio e assim evitar que ele se esborrache no chão.

O pai protetor é exatamente a rede. Ele sabe que o filho vai cair, mas a sua função é estar lá para apoiá-lo e trazê-lo de volta para que o filho continue desempenhando o seu papel.

Neste caso, a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso em todas as tentativas é do filho, sendo o pai o incentivador que diz: “pode ir, pois dando certo ou errado eu estarei aqui”.

A proteção então vira sinônimo de confiança e respeito porque o pai se posiciona ao lado do filho, dialogando, apoiando, ajudando-o a trilhar o seu caminho e a viver em sociedade mesmo com todos os perigos iminentes.

Já o  pai superprotetor é aquele que não deixa o filho nem tentar subir no trapézio, pois ele sabe que o filho vai cair e, quando isso acontecer, a culpa será do dono do circo e do segurança que deixaram o filho subir no trapézio.

Neste caso, a responsabilidade será sempre dos outros e nunca do filho, sendo o pai o escudo protetor que diz “não vai, porque sempre vai dar errado e você vai se machucar”.

A superproteção então vira sinônimo de medo e insegurança, pois o pai se posiciona na frente do filho, sem diálogo, sem apoio, impedindo-o de trilhar o seu caminho ao mantê-lo dentro de uma bolha à parte da sociedade.

E o problema das bolhas é que elas sempre estouram, né?

Por isso, acho que a melhor forma de proteger uma criança e fazê-la crescer com responsabilidade para encarar com mais resiliência as inúmeras adversidades que irão aparecer no caminho ainda está baseada no tripé: educação, limites e diálogo.

Afinal, em algum momento os filhos precisarão começar a viverem as suas próprias vidas até alçarem os seus próprios voos, e quanto mais presentes estivermos desde cedo para ajudá-los nesta transição, melhor será para todos.

Em tempo: para saber mais, clique para ler: “Os riscos da superproteção”

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4 Comentários


  1. Muito bom! Esse dilema nunca esteve tão em voga.Em tempos de violência urbana crescente no Brasil,principalmente para quem mora no Rio de Janeiro, está cada vez mais difícil para os pais de adolescentes e jovens. Infelizmente estamos esbarrando na superproteção,contra nossa vontade.Vamos em frente na missão com esperança e amor! Bjs

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    1. Oi, Carla! A violência é realmente assustadora e a preservação da vida será sempre a nossa maior preocupação, mas precisamos ficar atentos até que ponto estamos apenas protegendo-os da violência ou se estamos isolando-os da vida em sociedade, pois aí teremos um novo problema. Bjs

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  2. Oi Eduardo, sou a Mãe do Matheus que estudou com sua filha na Pôr-do-sol. Sim, este tema é muito importante e me faz refletir diariamente sobre isso. Tento a cada dia mais “soltar a cordinha” para que ele tenha mais autonomia. É muito difícil e sofremos com essa decisão. Mesmo sendo criada para ser totalmente independente ainda é bem difícil pra mim deixá-lo ir.
    Muito bom seus artigos!
    Parabéns e mandamos um bj a todos!

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    1. Oi, Anna! Sim, é difícil, mas é a vida, né? Se desde já começarmos a fazer a nossa cabeça com este espírito de que estamos os preparando (e na verdade estamos) para voarem sozinhos, acho que ficará menos traumático quando a hora chegar.
      Obrigado e um grande beijo para todos vocês!

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