O dia em que a minha filha me deu uma lição de moral

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Em 100% do tempo precisamos praticar tudo o que ensinamos para os nossos filhos, pois no dia em que cometermos um pequeno deslize, eles puxarão a nossa orelha – e com razão!

Por Eduardo M. R. Lopes

Dentre as várias coisas bacanas que acontecem quando se está contando uma estória (inventada ou adaptada de livro ou filme) é poder reforçar ou explicar melhor algumas lições que queremos que fiquem claras para os nossos filhos.

Eles, por sua vez, em geral adoram as estórias e dificilmente se esquecerão de algum ponto que você tenha reforçado – ainda mais se forem referentes aos personagens que eles tenham gostado ou às ações que lhes tenham chamado a atenção.

E aí acaba sendo interessante vê-los repassando as lições para as outras crianças, mas também o feitiço pode virar contra o próprio feiticeiro e a vítima acabar sendo você – como aconteceu comigo na véspera das últimas férias escolares.

No início de 2018, minha filha estava curiosa sobre o universo Star Wars, e então este nerd que vos escreve, entre as idas e vindas para a escola, diariamente por quase dois meses, contou e recontou até perder a conta as aventuras dos personagens nesta saga.

Há uma passagem específica, quando o Luke Skywalker procurava o grande guerreiro e mestre Jedi de todo o universo. A sua nave caiu num planeta sinistro e então surge para ajudá-lo um ser velhinho, careca, pequenino e verde – o mestre Yoda.

Olhando apenas a aparência, Luke o esnoba, subestima, recusa a ajuda e não acredita que ele seja o famoso mestre que ele tanto procurava – até o Yoda lhe provar isso.

Pois bem, minha filha naquela altura tinha 4 anos e, na escola, brincava no recreio junto com as meninas de 3 e 5 anos. Eu também as conhecia de nome e brincava com muitas delas quando ia até lá deixá-la ou buscá-la.

Havia uma menina muito simpática de 5 anos chamada X, que era a menor da turma, menor inclusive que a minha filha, e que por alguma razão eu achava que ela era da turma dos 3 anos.

E então, quase três meses depois de ter contado e recontado a saga Star Wars e não ter mais tocado no assunto, estamos eu e minha filha conversando no quarto dela.

Ela começou a falar do que havia feito na escola, dizendo toda empolgada que tinha brincando com a X, e que ela tinha feito um monte de coisas incríveis – que eram até normais para uma criança de 5 anos (a idade real dela), mas muito avançadas para uma menina de 3 anos (a idade que eu achava que ela tinha).

Com cara de surpresa, devo ter perguntado uma três vezes se tinha sido mesmo com a X com quem ela tinha brincado, e então minha filha parou, olhou fundo nos meus olhos e disse:

– Papai, não faças como o Luke.

Aí foi a minha vez de ficar parado, tentando lembrar mentalmente qual era o amiguinho de dentro ou fora da escola que se chamava Luke, e deixei escapar surpreso um: – Luke?!?

Ela riu e saiu correndo gritando pela casa:

– Mamãe, o pai está a fazer como o Luke, que não acreditava no Yoda. Ele também não acredita que a X consegue fazer um monte de coisas!

Ainda bem que ela já estava lá na sala, pois ali no quarto comecei a rir sozinho num misto de vergonha (e daí que ela tivesse mesmo 3 anos?) e orgulho.

Afinal, ela havia aprendido muito bem a lição – e eu também.

Em tempo I: Se você não conhece ou não se lembra da cena que comentei (o encontro do Luke com o Yoda), clique aqui para ver ou rever.

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